Por: Luiz Mendes

Conversamos com Karin Mol, baterista do grupo holandês de gothic metal, Asrai. Nesta entrevista exclusiva você ficá por dentro de toda história do Asrai. Confira

Paradise Metal: O Asrai já está na cena desde 1988. Conte-nos um pouco sobre sua trajetória ao longo dos anos até o momento atual

Karin: Margriet e eu fundamos uma banda totalmente feminina em 1985. Tendo tantos amigos tocando em bandas, fica difícil resistir ao chamado por fazer música. E porque quase não havia mulheres tocando na cena em que estávamos envolvidas, decidimos mudar isso. Começamos sem nenhuma experiência de tocar instrumentos, criamos nossa música dum ponto de vista "fresco". Após cinco semanas tivemos nosso primeiro show, e quisemos mais.
Em 88 tivemos uma mudança de formação e a música estava ficando mais séria, foi aí que decidimos mudar o nome para Asrai. Pouco depois nosso primeiro guitarrista homem entrou na banda. A formação ficou Margriet nos vocais, Bert na guitarra, Elfriede no baixo e Karin na bateria. Tocamos juntos por oito anos e gravamos várias fitas: 'The Blue Tape', 'So clear that you couldn't tell...', 'Love is a Lie', 'Live in a Package' e Asrai'. Nessa época queríamos gravar um CD, mas Bert e Elfriede resolveram sair. Em pouco tempo achamos nossos novos membros em Serge, guitarrista, e Leah, baixista. E gravamos nosso primeiro álbum 'As Voices Speak'.
Fomos a várias gravadoras e o selo Poison Ivy se interessou então tínhamos um lançamento marcado para a Alemanha. Mas não foi ainda dessa vez que demos sorte, a Poison Ivy faliu, e com ela nossa aventura alemã. Achamos que já era tarde para promover a versão holandesa e começamos a escrever músicas para o próximo álbum. Foi uma época louca, e muito ocupada com shows, trabalho, questões familiares e até trapaças de uma gravadora que nos passou a perna assim como em outras bandas numa compilação.
Nesse meio tempo Serge decidiu deixar a banda após quatro anos e dessa vez foi difícil encontrar um bom substituto. Depois de mais de um ano tentando com um monte de outros guitarristas, achamos Rik. Aí começamos a trabalhar sério em nosso próximo álbum e conhecemos Roman, nosso produtor em 'Touch In The Dark', nossa demos gravada em seu estúdio. Mas um mês antes de gravar, e uma semana antes de um show, Leah sofreu uma lesão que a impossibilitou de tocar baixo. Chamamos Martin para substituí-la, ele é um bom baixista e um amigo de anos. E com apenas uma semana, ele já sabia todas as músicas e estava tocando conosco ao vivo. E no estúdio.
Tentamos dar mais profundidade à nossa música com alguns teclados, experimentamos isso no estúdio, e funcionou muito bem com nossa música. Um monte de coisas aconteceu, entre elas nosso contrato com a Transmission Records após mandarmos nossa demo.
Ao mesmo tempo, nosso amigo Manon ouviu a demo e antes que soubéssemos, éramos um quinteto com ele nos teclados. Todos os anos de fé, cruzando os dedos, trabalho duro e amor pela música deram resultado. Agora com um contrato, gravamos 'Touch In The Dark' no Beautiful Lake Studio e no Excess Studio. Foi mixado por um dos grandes de todos os tempos, Sascha Paeth. Acabamos de lançar nosso primeiro single 'Pale Light', e em setembro sairá nosso segundo single 'In Front Of Me'. Ambos os singles têm vídeos, feitos por Marcel De Jong, cujo trabalho realmente admiramos e com quem estamos muito felizes de ter trabalhado, e Jelle Swetter. E esperamos tocar por muitos anos com essa formação: Margriet nos vocais, Rik na guitarra, Manon no teclado, Martin no baixo e Karin na bateria.


Paradise Metal: Ainda falando do passado, alguns dos membros da banda tocavam com bandas punk e new wave. De alguma forma essas experiências influenciaram seu som atual?

Karin: Claro, são nossas raízes. Nunca se pode negar que essas influências moldam sua música.

Paradise Metal: Como você disse, entre 1988 e 1994, o Asrai lançou algumas demos. Por que tanta dificuldade para achar uma gravadora?

Karin: Naquele momento o estilo que tocávamos não era tão popular quanto hoje em dia. Isso dificultou que achássemos uma gravadora disposta a investir em nossa música. É preciso ter contatos e às vezes é preciso fazer concessões. E para ser sincera isso, especialmente naquele tempo, era difícil para nós. Queríamos fazer do nosso próprio jeito, que às vezes era o mais difícil. Mas nós aprendemos muito com isso.

Paradise Metal: Uma curiosidade: A banda tem uma demo chamada 'So clear that you couldn't  tell where the water ended and the air began'. Não é um nome muito grande? Não consigo parar de imaginar alguém que não é familiar com o grupo começando a ler esse nome, e quando termina, já não é mais capaz de lembrar o nome da banda!

Karin: (Risos) Sim, você está certo! Nós (Margriet e eu) também achamos que era um pouco longo, até para nós é difícil lembrar. Mas nosso antigo guitarrista queria dar à demo esse nome, e também tinha algo a dizer a respeito. Porém, mesmo sendo um título enorme é também o início de uma estória. Uma boa maneira de começar a contar as estórias dos números naquela demo.

Paradise Metal: Vamos ao novo álbum. Como você descreveria Touch in the dark?

Karin: Touch in the Dark é apaixonado, um álbum cheio de emoções. Tem guitarras mais pesadas e uma base forte de bateria e baixo, preenchida com sons surpreendentes e um sintetizador quente. Adicionada a incrível voz de Margriet, as músicas ao direto ao coração.

Paradise Metal: Apesar das maneiras do gothic metal serem presença constante no decorrer do álbum, não se acha corais ou vocais masculinos. É de propósito essa abordagem mais direta e honesta?

Karin: A abordagem direta e honesta é só nossa maneira de fazer música, talvez por causa das influências de new wave e punk. É por isso, por exemplo, que não temos nenhum solo.

Paradise Metal: Como funciona o processo de composição na banda?

Karin: Na maior parte do tempo sai nas jams. Ou um de nós chega com uma idéia. Mas todos nós temos participação na composição.


Paradise Metal: Pale Light é uma das melhores faixas do álbum, e exibe todos os elementos da música do Asrai. Foi por isso que virou single e videoclipe, ou houve outros motivos?

Karin: Eu acho que sim, e finalmente a gravadora tomou uma decisão. Por que para nós era muito difícil escolher, já que há outras boas músicas como Restless, Shadows etc.

Paradise Metal: Outra faixa que para mim os define bem é In Front of Me.  Nos fale mais sobre essa música.

Karin: In front of me é uma música forte e pegajosa, com um ritmo quente e vocais sangüíneos, e cujo refrão tem uma influência sinistra no ouvinte.

O videoclipe foi feito por Marcel De Jong, baseados em desenhos de Maud Mulder, que foram usados em nosso merchandising, e é totalmente diferente do que as pessoas esperavam. É um desenho animado, com o especialmente criado para a ocasião Asrai-mobile. O que eu posso explicar, é algo que você tem de ver e ouvir. E isso é possível já que o video estará também em nosso próximo single.

Paradise Metal: Como o público tem reagido ao álbum até então?

Karin: De nosso público recebemos reações boas e calorosas, mas alguns fãs mais antigos sentem falta das partes mais cruas como em nosso primeiro cd.

Paradise Metal: Vocês têm algumas datas na Holanda, Bélgica e Inglaterra esse ano. O que esperam desse giro?

Karin: Esperamos nos divertir bastante, e encontrar pessoas interessantes.

Paradise Metal: A arte gráfica de Touch in the Dark traz muitas estátuas representando anjos. Algum significado especial por trás dessas imagens?

Karin: Em nossas artes anteriores (para as demos e As voices Speak) sempre era possível achar um toque de natureza. Isso era o que também esperávamos da arte em Touch in the dark. Esperávamos algo escuro e com um toque lúgubre e pagão. Começando com o anel de rosas como uma passagem a outro mundo. Nossa gravadora sempre trabalha com Carsten Dresher, então ele fez a arte do nosso cd. Após vários conceitos mostrados, concordamos com um layout final. Carsten veio com o anjo, que tem uma certa serenidade. O resto contem muitos detalhes pessoais. As rosas nós queríamos desde o começo, e o mesmo para o púrpuro como cor base. Muitas das fotos de estátua no encarte foram feitas por Manon. Todos nós individualmente escolhemos parte de nossas letras para acompanhar nossas fotos. E os animais, todos têm seu significado pagão, como a coruja representando sabedoria interior, o morcego representando demônios e espíritos na Europa medieval. Corvos representam magia, mistério, e leis sagradas, assim como sendo guerreiros, guriãos dos ciclos de morte e renascimento.
No fim das contas o trabalho gráfico se tornou representativo do nosso som, então ajuda pessoas que não estão familiarizadas conosco a reconhecer a banda.

Paradise Metal: são da Holanda, mesmo país de After Forever e Within Temptation. Vocês se sentem comparados a essas bandas? Isso incomoda?

Karin: Todos tentam te comparar com uma banda que conhecem. Às vezes esse é um mal hábito. Faz parecer que você não tem chance de estabelecer sua própria identidade musical.

Paradise Metal: Eu li algumas resenhas na internet, e algumas os compara ao Lacuna Coil. Eu discordo totalmente, já que vejo influências claramente distintas sobre cada banda. O que você acha disso?

Karin: Concordo com você. Gostamos do Lacuna Coil, mas não somos influenciados diretamente por eles. E eu acho que as pessoas precisam te comparar com outra bana para poder te colocar, na visão delas, numa direção reconhecível. Nossas raízes são outra cena e uma forma abordagem diferente à forma de fazer música, e eu acho que isso você pode ouvir nas músicas.

Paradise Metal: Já que estamos falando de influências, que bandas você citaria como fonte de inspiração?

Karin: Não há uma banda em especial que tenha nos influenciado muito. Mas é claro que você sofre influência daquilo que gosta. E cada membro tem seu próprio background. E juntando todos, você tem a música que estamos tocando hoje em dia.

Paradise Metal: Como está hoje a cena metal na Holanda?

Karin: A Holanda sempre teve uma cena metal bastante sólida. Em nossa opinião, isso é algo que jamais mudará.

Paradise Metal: Deixe uma mensagem para seus fãs brasileiros

Karin: Obrigado pela boa entrevista, boa sorte com o Paradise Metal


Webzine