ASRAI: A Nova Revelação do Gothic Metal Holandês

Margriet Mol (V), Martin Koov (B), Manon Van Der Hidde (Violinho), Rik Janssen (G) e Karin Mol D).
Fonte: Divulgação.          

Contando com três mulheres em sua formação, o grupo holandês ASRAI apresenta seu segundo álbum: "Touch In The Dark", que conta com a produção de Sascha Paeth (Aina). A banda, que segue a onda do gothic metal com vocais femininos, nasceu em 1988, formado por ex-membros de conjuntos punk rock e new-wave. Em 1997, o quinteto despontou com o lançamento de "As Voices Speak", chamando a atenção da gravadora Transmission Records.

Em entrevista à And Heavy Metal For All, a baterista Karin Mol contou sobre o segundo trabalho ("Touch In The Dark"), o gothic metal e a sonoridade do quinteto, a cena da Holanda e muito mais...

O grupo Asrai chegou recentemente ao seu segundo trabalho, "Touch In The Dark". Conte-nos sobre este lançamento.
Karin Mol: Depois de gravar nosso primeiro disco "As Voices Speak", fomos gravar o segundo, porém com mais tempo. Ocorreram algumas mudanças e diversas coisas aconteceram com o pessoal, então tivemos uma demora para finalizar esse CD. Nossas músicas foram criadas por toda a banda, cada um tinha sua parte na composição, por isso há um bom envolvimento de todos. Quando tomamos a decisão de gravar o próximo álbum, conhecemos o Roman e decidimos gravar a demo em seu estúdio na Alemanha. Se nós não tivéssemos encontrado uma gravadora poderíamos ter feito nós mesmos, mas tivemos sorte em poder trabalhar com uma equipe qualificada! Enviamos nossa demo a gravadora Transmission e não nos arrependemos! Nos deram a oportunidade de gravar um disco com um largo orçamento e um grande e forte time. Claro, também temos nossas exigências, nossa equipe gravou a demo com Roman que trabalhou muito bem, precisávamos dele como nosso produtor, ele sabia o que procurávamos, além do baixo custo que tivemos na gravação dos teclados e na base em seu estúdio. Gravamos esse álbum em um mês, que foi mixado por Sasha Paeth, que merece o nome que carrega, um dos melhores mixers do momento! Foi muito bom trabalhar com ele.

Quais são as principais diferenças entre os dois discos do grupo?
KM: Há duas principais diferenças na gravação dos trabalhos, como dissemos antes, tivemos um mês para gravar esse álbum. Quando gravamos o anterior nós mesmos que arranjamos tudo, foi um grande aprendizado. A gravação foi dentro de três dias, sem produtor e sem tempo para mudanças. Porém esse novo disco admite que o Asrai está mais sensível, com mais emoção e intensidade.

O primeiro single retirado desse disco é "Pale Light". Por que?
KM: Tivemos dificuldade em escolher o primeiro single, porque há grandes canções no álbum. A gravadora que escolheu a faixa para o single e nós concordamos.

Recentemente, o CD "Touch In The Dark" foi lançado no Brasil. Qual é a expectativa em relação ao mercado brasileiro?
KM: É a primeira vez que nossa música chega ao Brasil, por isso estamos muito ansiosos, mas claro esperamos que vocês gostem das nossas canções e desejamos um dia poder fazer vários shows no Brasil.

Vocês têm planos de realizar uma turnê pelo Brasil?
KM: No momento, nós mesmos estamos preparando uma turnê, começando na Bélgica e ficaríamos felizes se houver a possibilidade de uma turnê brasileira.

A maioria dos integrantes da banda passaram por conjuntos de punk rock e new-wave. Por que mudaram o estilo musical?
KM: Não tivemos escolha, nossa música cresceu durante esses anos dentro desse estilo. Porém nunca tocamos o típico punk rock ou o new wave, começamos tocando um rock mais sombrio e básico.

A maioria das bandas do gothic metal possuem apenas uma mulher no vocal. No entanto, o Asrai possui, além da vocalista, outras duas mulheres. Musicalmente, qual é a diferença em possuir uma maioria de integrantes do sexo feminino?
KM: Iniciamos como uma banda feminina, porém tivemos várias mudanças. Depois de três anos como um grupo de mulheres, não tínhamos grandes prioridades, apenas encontrar músicos direitos, com os mesmos interesses musicais e idéias para criar composições que fossem importantes para nós. Três mulheres no Asrai é um estilo baseado na nossa história. Começamos quando o punk rock ao vivo tinha muita represaria e uma grande parte de nossos amigos tocavam em conjuntos. A energia era muito mais importante do que a parte técnica, quando tocávamos nós não podíamos tocar tudo. Depois de cinco semanas tínhamos cinco sons para nossa primeira apresentação. Eu acho que hoje em dia não é mais possível porque o padrão está mais elevado. Naquele tempo tínhamos oportunidade e a experiência do poder da música. Isso que formou o Asrai.

Quais são as principais influências do conjunto e como classificam a sua sonoridade?
KM: Somos dos anos 80 e nossas influencias são dessa época, acredito que canções que vocês ouviram enquanto cresceram. Grupos como Joy Division, The Damned, The Cure, Sisters of Mercy, Dead Kennedy's, Stranglers, The Ramones, Birthday Party, Bauhaus, entre outras. Essas bandas nos inspiraram a fazer música durante todos esses anos, então criamos nosso próprio som.

No Brasil, não conhecemos muitos conjuntos holandeses. Conte-nos como é a cena em seu país de origem.
KM: Há muitos conjuntos bons na Holanda, mas infelizmente nem todas tem o crédito que merecem. Aqui, a cena gótica é muito industrial orientada pelo momento. Isso dificulta quando você está começando porque não há muitas possibilidades hoje em dia. Muitas casas de eventos não financiam bandas, enquanto eventos dançantes rendem um pouco mais dinheiro. Porém observamos que há mais jovens interessados em ouvir as canções ao vivo e isso é muito bom.

Existe atualmente uma febre mundial pelo gothic metal com vocais líricos, principalmente com o sucesso atingido pelo Nightwish e Evanescence. Na opinião de vocês, por que dessa febre mundial?
KM: Isso já acontece a um longo tempo depois que as pessoas abraçaram o gothic metal. Esse tipo de som é acessível desde o pensamento de suas raízes. Eu acredito que grupos como Nightwish e Evanescence ficaram um pouco de lado comparados com o underground e a música popular. Talvez essa multidão de pessoas precise ser mais honesta com a música, depois de um monte de coisas sem sentido que "criarão" conjuntos. Acho que há muito espaço para as bandas de underground, eles ganham também todo o crédito.

O que vocês acham sobre o Nightwish e Evanescence? Vocês gostam dos estilos desses grupos?
KM: Não acho que você pode comparar essas bandas, ambas possuem um som único. Os integrantes do Nightwish são mais experientes do que os membros do Evanescence, porém o Evanescence possui o som mais cativante. Ambas possuem seu charme, porém não fomos influenciados por elas. Eu gosto da imagem do Evanescesce, eles parecem puros e honestos. O vídeo do Nightwish é muito sombrio, mas eu gosto da parte do canto, foi muito bem adaptado com o som e a imagem.

Em relação ao futuro, quais são os planos? Já existe previsão para um próximo lançamento?
KM: Primeiro, faremos alguns shows e nesse meio tempo vamos compondo novas faixas para o próximo lançamento. Em setembro, nosso segundo single "In Front Of Me" será lançado, esperamos que depois disso possamos lançar outro. Gostaríamos de fazer também outro vídeo-clipe com Marcel de Jong, o mesmo de "Pale Light", fazer essa produção foi muito divertido e prazeroso, desejamos trabalhar com ele no futuro.

Gostaríamos de agradecer pela entrevista e pedir para que deixe uma mensagem aos seus fãs e visitantes do site.
KM: Esperamos que vocês gostem das nossas músicas e também conhece-los no futuro.


(Antonio Rodrigues Junior / Tradução: Aline Messias - Setembro/2004)

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